Na quarta-feira (30.5.2018), a OCDE pediu aos países que evitem "uma escalada" das tensões comerciais por medo de que elas possam afetar "significativamente" o crescimento global, enquanto o presidente francês pediu a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e defendeu um novo multilateralismo.
O alerta da organização sediada em Paris ocorre dois dias antes do término da isenção temporária do pagamento de novas tarifas sobre alumínio e aço que os Estados Unidos concederam a alguns países, como os da União Europeia, México, Canadá, Brasil e Argentina..
"Uma escalada contínua das tensões comerciais pode afetar significativamente a expansão econômica", alertou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que prevê um crescimento global de cerca de 4%, a média das décadas anteriores à crise.
"Antes de tudo, devemos evitar uma escalada das tensões comerciais", disse o economista-chefe interino da organização, Álvaro Pereira, sem citar nenhum país específico, em um contexto em que os Estados Unidos podem aplicar tarifas de 25% ao aço e de 10% ao alumínio importado a partir de sexta-feira.
Se essa medida for confirmada, os parceiros comerciais de Washington, começando pela União Europeia, poderão tomar medidas retaliatórias.
Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira que os preparativos para possíveis sanções comerciais contra a China continuavam, apesar do recente anúncio do governo de uma trégua na guerra comercial.
A OCDE, que realiza sua reunião anual em Paris até amanhã sob o tema "Reforma do multilateralismo", também está preocupada com o aumento dos preços do petróleo e das taxas de juros para países, grupos e famílias "altamente endividados".
O dia na OCDE foi marcado por apelos de países europeus por multilateralismo, diante de uma administração norte-americana que parece defender apenas seus próprios interesses comerciais.
Presidente francês pede reforma da OMC
Foi o caso do presidente francês Emmanuel Macron, que disse que "É hora" de reformar a OMC. "Uma guerra comercial é sempre uma guerra perdida para todos. Para nossas indústrias, nossos fazendeiros, nossos consumidores", ele disse.
Segundo o presidente francês, "só uma OMC refundada pode nos oferecer esse arcabouço", e ele propôs negociações envolvendo Estados Unidos, União Europeia, China e Japão, que seriam então estendidas aos países do G20 e da OCDE.
Crescimento global segundo a OCDE
A OCDE também apresentou na quarta-feira as suas previsões de crescimento global, ligeiramente revistas em termos homólogos, com uma 3,8% esperado para este ano, em comparação com sua previsão de 3,9% em março, deixando sua previsão para o próximo ano inalterada (3,9%).
Para a economia de Estados Unidos, que está passando por um dos ciclos de crescimento mais longos de sua história, a OCDE agora prevê um aumento no Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9% neste ano e 2,8% no ano que vem, inalterado em relação às previsões anteriores de março.
No seu relatório, a OCDE também avalia as economias de alguns países não membros, como Argentina, marcada pela recente crise do peso, que a organização atribui a um contexto de "queda de confiança e fuga de capitais". Para 2018, o relatório prevê um crescimento de 2% em 2018 e 2,6% em 2019.
No caso de Brasil O relatório aponta um crescimento de 2% em 2018 e de 2,8% num contexto de “sólido crescimento do investimento”, refletindo, segundo a organização, “esforços recentes de reforma, inclusive nos mercados financeiros”.
Fonte: AFP
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