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Mercosul-UE: Será preciso incentivar mudança de paradigma nas empresas da região, diz BID

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Sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) considerou que “será necessário promover uma mudança de paradigma nas empresas da região” e reconheceu que “serão necessários programas de transformação produtiva para auxiliar os setores mais afetados na transição”.

Sobre o acesso de bens industriais europeus ao mercado local, o estudo do Instituto para a Integração da América Latina e do Caribe (BID-Intal) alertou que “colocará pressão sobre as empresas para competir na região com as europeias, tanto pelos possíveis impactos em nível nacional quanto pelos desvios de comércio”.

O organismo financeiro multilateral indicou que "será necessário empreender reformas para otimizar a logística do comércio exterior, a facilitação do comércio, melhorar a promoção e, além de auxiliar os setores afetados, "gerar incentivos e marcos regulatórios adequados para promover setores competitivos, reduzindo assim a lacuna de produtividade com as economias europeias".  

O BID considera que lOu, mais importante, o que podemos fazer a partir de agora é melhorar a competitividade. “Será necessário promover uma mudança de paradigma nas empresas da região, ajudar a gerar condições para que incorporem novas tecnologias, melhorem suas capacidades de gestão, promovam processos de inovação, sigam as melhores práticas internacionais de produção, adotem padrões internacionais de sustentabilidade ambiental e social, etc.”

“O acordo abre uma oportunidade para que os complexos industriais e de serviços do Mercosul percorram um caminho difícil, mas inevitável, rumo à integração global”, acrescenta. “Focar apenas nos mercados domésticos ou cativos da região não é mais uma opção”, alerta o BID, que financia esquemas de participação do setor privado no Mercosul e um plano de ação para integração com a Aliança do Pacífico, um dos objetivos das negociações comerciais, conforme delineado pelos presidentes do bloco na última Cúpula do Mercosul.

Em sua análise do acordo Mercosul-UE, o BID-INTAL destaca que o interesse ofensivo do bloco estava nas exportações agrícolas. "Embora as cotas para certos produtos de interesse do Mercosul não pareçam generosas, os ganhos imediatos no acesso a outros produtos importantes na pauta de exportação regional podem ser substanciais", disse o banco, liderado por Luis Alberto Moreno. 

“Oportunidades também se abrem para o setor industrial do Mercosul, já que 80% de suas exportações para o bloco europeu terão acesso imediato a tarifas zero e 100% em um prazo máximo de 10 anos”, destacaram. Existem “nichos de mercado” onde o Mercosul pode ser competitivo, como couro, roupas de grife ou biotecnologia. 

No segmento de serviços, o banco multilateral destaca que “a UE é a maior importadora mundial de serviços e atualmente importa apenas US$ 12.400 bilhões em serviços do Mercosul, de um total de US$ 800 bilhões que importa globalmente.

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