O presidente brasileiro Michel Temer viajará para Assunção na segunda-feira (18.6.2018) para participar da Cúpula do Mercosul, onde defenderá uma maior abertura econômica e promoverá a criação de uma agenda digital que estabeleça as bases para o comércio eletrônico entre os países do bloco.
O presidente deixará Brasília na segunda-feira, poucas horas antes do início da 52ª cúpula semestral do Mercosul, para a qual está confirmada a presença dos chefes de Estado da Argentina, Mauricio Macri; Paraguai, Horacio Cartes, e Uruguai, Tabare Vazquez.
Agenda digital
No encontro, em que Vázquez receberá de Cartes a presidência interina do bloco, o Brasil espera que "seja definido um programa de trabalho para a agenda digital do Mercosul", disse esta semana Paulo Estivallet, subsecretário para América Latina e Caribe do Itamaraty.
A iniciativa visa regular o comércio eletrônico entre os países membros, no âmbito de uma estratégia para avançar em direção a uma maior liberalização comercial entre eles e também no exterior.
abertura comercial
Temer reafirmará, assim, seu compromisso com a abertura comercial do Mercosul em um momento em que o protecionismo ganha força após a escalada de tensões entre Estados Unidos e China com a imposição de tarifas multimilionárias sobre seus respectivos produtos.
Nesse sentido, a maior economia da América do Sul insistirá na importância de concluir o acordo de comércio livre com a União Europeia o mais rapidamente possível, que vem sendo perseguido há quase duas décadas.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, disse nesta quarta-feira, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o acordo com a UE pode se tornar realidade antes das eleições presidenciais que serão realizadas no país sul-americano em outubro.
"Estamos superando os obstáculos aos poucos. Já tivemos várias rodadas técnicas (de negociações) e fechamos outra na semana passada. Espero que possamos concluí-la neste ano, e o mais breve possível, porque em breve haverá eleições na Europa e no Brasil", disse.
Nunes destacou que dos 300 pontos de divergência que existiam entre os dois blocos, restam apenas cinquenta para serem resolvidos.
Entre eles estão o setor automotivo, os serviços marítimos, a propriedade intelectual, especialmente os aspectos relacionados às patentes de medicamentos, e as cotas de exportação de açúcar e carne, um ponto "sensível" após os escândalos descobertos no Brasil sobre a existência de máfias que alteravam a qualidade do produto.
Fonte: Reuters
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