Segundo analistas do Credit Suisse, a Ocado, o supermercado online britânico que usa automação para armazenar e recuperar produtos, pode se livrar da maioria de seus funcionários em uma década.
No armazém da Amazon em Manchester, as prateleiras se movem para frente e para trás e máquinas com menos de meio metro de altura transportam mercadorias seguindo uma coreografia geométrica. Os únicos humanos são encontrados dentro de um perímetro fechado.
"Até agora, eram os funcionários que tinham que encontrar itens nas prateleiras e transportá-los pelo depósito. Hoje em dia, são as próprias prateleiras que se movem. Pode-se dizer que este é o início de uma verdadeira revolução no setor de logística", diz Roy Perticucci, vice-presidente do departamento de atendimento ao cliente europeu da Amazon.
A tecnologia mostra a transformação que está ocorrendo no cerne do setor de logística. Muitas das funções que antes eram realizadas apenas por humanos agora estão sendo assumidas por robôs como resultado dos avanços na automação.
Essas mudanças levantam sérias questões sobre o que acontecerá com os empregos.
"A maioria dos empregos em logística não requer qualificação e pode ser substituída pela automação em um futuro próximo. Isso levará a uma mudança radical na forma como o setor de logística é organizado", diz John Manners-Bell, da consultoria Transport Intelligence.
De acordo com analistas do Credit Suisse, a Ocado, supermercado online britânico que usa automação para armazenar e retirar produtos, pode demitir a maior parte de seus funcionários em uma década, embora a empresa insista que sua força de trabalho foi aumentada pela automação.
A Amazon, por sua vez, afirma ter criado novos empregos ao expandir sua rede logística no Reino Unido. Em 2017, a empresa abrirá quatro novos armazéns que empregarão 3.500 pessoas.
A ascensão do comércio eletrônico
O crescimento do comércio eletrônico em todo o mundo está trazendo mudanças significativas em um setor que se tornou uma artéria econômica vital ao garantir o fluxo de mercadorias. Armazenagem e remessa eficientes são cruciais para atender às altas expectativas dos consumidores por entrega rápida e barata.
A Amazon se tornou a primeira empresa a implementar robôs após adquirir a Kiva por US$ 775 milhões em 2012. A empresa agora tem quase 80.000 dessas máquinas em operação no mundo todo. Cada robô pode carregar 340 kg e tem um laser e uma câmera na frente para detectar obstáculos.
A Ocado começou a usar um sistema de segunda geração baseado em uma estrutura semelhante a uma rede. "Temos uma multidão de robôs ocupando uma espécie de tabuleiro de xadrez bidimensional", explica Paul Clarke, diretor de tecnologia.
Abaixo de cada quadrado de xadrez há uma pilha de recipientes com produtos de cada seção. Os robôs descem pela rede para pegar os objetos e depositá-los dentro de seus corpos.
Por fim, as máquinas transportam o contêiner para uma área na borda da estrutura tridimensional, onde trabalhadores humanos embalam os produtos.
Graças aos robôs, cerca de 50 pedidos podem ser concluídos em apenas alguns minutos, em comparação com as duas horas que levaria sem o sistema.
Assim como outras empresas do setor, Clarke ressalta que os robôs não causaram demissões na Ocado, mas ajudaram a empresa a melhorar sua competitividade e suas baixas margens de lucro.
No entanto, os sindicatos dizem que o crescimento do comércio eletrônico é um fator que contribui para o declínio de empregos. Eles também estão preocupados que o aumento da automação crie uma força de trabalho menos competente e sirva de pretexto para condições de trabalho mais precárias.
A Amazon foi criticada no passado por suas práticas trabalhistas em seus armazéns no Reino Unido. Atualmente, a empresa destaca os benefícios que oferece aos seus funcionários efetivos e garante que não possui os chamados contratos de hora zero.
Apesar dos medos, especialistas dizem que há muitas tarefas que os robôs não podem realizar em escala industrial, como ações que exigem mais cuidado ou improvisação.
Fonte: Financial Times
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