Depois do Carnaval, as negociações para chegar a um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) seguirão para Assunção no dia 19 de fevereiro para tentar resolver as "diferenças remanescentes" após duas décadas de discussões.
"Fizemos progressos significativos (…), mas ainda há trabalho a ser feito para alcançar um resultado positivo", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Daniel Rosario, em uma entrevista coletiva na sexta-feira, relatando a última rodada de negociações em Bruxelas.
Depois de não conseguirem chegar a um acordo político em Buenos Aires em dezembro de 2017, os chanceleres do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil se reuniram na semana passada com os Comissários Europeus de Comércio e Agricultura para tentar desbloquear as negociações.
Durante a reunião, que deu lugar a 10 dias de discussões, Os europeus demonstraram disposição em melhorar sua oferta comercial, como carne bovina, até 99.000 toneladas, em comparação com as 70.000 atualmente em jogo., de acordo com diversas fontes.
Essa oferta, que ainda não foi formalizada, representou uma solução para um "grande obstáculo", nas palavras de uma fonte diplomática sul-americana, principalmente quando o Mercosul esperava uma melhora durante as reuniões na Argentina.
"Em Assunção, esperamos esclarecimentos sobre a oferta", disse a fonte à AFP, acrescentando que "se as negociações correrem bem", um acordo em princípio poderá ser anunciado na capital paraguaia em 2 de março.
Carne para carros
As Exportações de produtos agrícolas, especialmente carne bovina e etanol, para um bloco europeu de 500 milhões de habitantes são cruciais para o Mercosul, mas também representam uma questão delicada na Europa, especialmente na França.
Em Buenos Aires, "reativamos uma coalizão de onze países [da UE] que querem um firme respeito por um certo número de sensibilidades agrícolas", disse recentemente o secretário de Estado francês para Relações Exteriores, Jean-Baptiste Lemoyne.
Mas, como aponta uma fonte diplomática europeia, a "hipotética" melhoria na oferta agrícola da UE aos países sul-americanos depende do que eles colocarem na mesa em troca. "O Mercosul ainda não respondeu" à proposta, acrescentou.
Em troca do aumento da oferta, os europeus pediram novas concessões do bloco sul-americano, especialmente em laticínios, na proteção de indicações geográficas europeias, no setor automotivo e em serviços marítimos.
Esses pontos estão entre as "questões pendentes" para os europeus, reconheceu uma fonte da Comissão Europeia, que disse esperar "resolver as diferenças restantes" durante as próximas negociações na capital paraguaia.
Para uma fonte do Mercosul próxima às negociações, a última rodada de negociações em Bruxelas serviu para dar a ambos os lados "uma compreensão clara do que pode ser esperado que seja incluído no acordo e do que não pode".
Indicações geográficas
Em relação às indicações geográficas para produtos que a UE quer proteger, como queijos e vinhos, os negociadores revisaram os resultados de uma consulta realizada no Mercosul sobre quais nomes seriam mais ou menos problemáticos de reconhecer, de acordo com esta fonte.
Bloco latino-americano pode “reconhecer 80% das indicações geográficas” propostas pela UE, disse a fonte diplomática sul-americana, ressaltando que o conflito se concentra naqueles nomes que se tornaram comuns para identificar um produto, como queijo parmesão.
As fontes consultadas reiteraram o compromisso de ambas as partes de chegar a um acordo nas próximas semanas e evitar um possível impasse que pode ocorrer devido às eleições no Brasil em outubro, antes das eleições europeias previstas para maio de 2019.
"O acordo será alcançado porque há vontade política de ambos os lados", disse a fonte latino-americana, que acredita que ambos os lados devem aproveitar a atual janela de oportunidade, além das próximas eleições.
Desde 1999, ambos os blocos buscam concluir um Acordo de Associação, que também inclui capítulos políticos e de cooperação. A chegada do protecionista Donald Trump à Casa Branca deu um impulso aos negociadores, que tentaram em vão fechar um acordo político até o final de 2017.
Em 2016, as exportações europeias de bens para o bloco sul-americano somaram cerca de 41.500 bilhões de euros, um pouco acima das importações dos países do Mercosul (40.600 bilhões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.
Fonte: AFP
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