A partir dos embarques aéreos previstos para a próxima semana, a Argentina, após 10 anos, cumprirá 100% dos embarques de cortes bovinos desossados e resfriados com destino à Comunidade Econômica Europeia, mais conhecidos como cortes Hilton, destacou a Secretaria de Governo da Agroindústria em nota.
«Este novo passo é motivo de orgulho para nós, assim como a capacidade de atender às cotas e exigências dos nossos clientes europeus, aproveitando o prêmio destes cortes e o aumento da renda de divisas para o país.", disse o secretário de Governo para a Agroindústria, Luis Miguel Etchevehere. E acrescentou: «Esperamos que o nível de execução se repita para o ciclo 2019/20, cuja distribuição está prevista para ocorrer até o final do mês, permitindo assim que, após muitos anos, não haja necessidade de exportação, com base em adiantamentos de cotas, mas sim dando total previsibilidade ao mercado.".
Por sua vez, o Subsecretário de Mercados Agrícolas, Jesús Silveyra, destacou que: «A Alemanha continua a ser o principal comprador, com 60% da quota, seguida da Holanda, com 20%, da Itália, com 12%, e da Bélgica, com 3,5%, que em conjunto compram 95,5% da quota. O valor médio atingido no ciclo 2018/19 foi de US$ 10.934 por tonelada.para".
Sobre a cota Hilton
A origem da Cota Hilton vem de um acordo comercial firmado no âmbito das Negociações Comerciais Multilaterais do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) na chamada Rodada de Tóquio, em 1979. Nessa rodada, a União Europeia concordou em atribuir uma cota para exportar cortes de carne bovina de alta qualidade para outras nações.
A cota é composta por cortes resfriados e desossados, que devem ser provenientes de animais que atendam a determinados requisitos quanto ao biótipo (novilhos, tourinhos e novilhas) e dieta (alimentados a pasto desde o desmame). Os cortes de alta qualidade que compõem a cota são: Angosto Bife, Ancho Bife, Alcatra, Lombo, Ponta, Bola de Lombo, Quadrado e Peceto, conforme Regulamento UE: 593/2013,
Trata-se de uma cota tarifária de importação (quota) que determina uma quantidade fixa de toneladas de carne bovina (composta por um conjunto de cortes especiais de alta qualidade e alto preço) a ser exportada para a União Europeia.
A cota total (66.826 toneladas) é distribuída entre os países produtores e exportadores de carne bovina, que têm uma quantidade específica de toneladas atribuída:
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Argentina: 29.500 toneladas (53,3%)
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EUA + Canadá: 11.500 toneladas
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Brasil: 10.000 toneladas
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Austrália: 7.150 toneladas
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Uruguai: 6.376 toneladas
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Nova Zelândia: 1.300 toneladas
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Paraguai: 1.000 toneladas
Aplica tratamento tarifário preferencial (tarifa intracota), até o limite quantitativo da cota. Acima desse limite, as importações estão sujeitas à tarifa da nação mais favorecida (tarifa extra-cota ou tarifa NMF). Enquanto a tarifa intra-quota é de 0%, a tarifa extra-quota é de 12,8% + 303,4 EUR/100kg2
Vale lembrar que anos atrás, em razão de outra política exportadora, caracterizada pelas cotas de exportação, pela existência do ROES e pela restrição cambial, a Argentina deixou de atender o fornecimento dessa cota, chegando a um mínimo de 18.676 toneladas no ciclo 2010/2011. Esse processo acompanhou o declínio do país como exportador global de carne bovina, caindo para a 15ª posição no ranking mundial em 2015.
Hoje, a Argentina ocupa o 8º lugar como exportadora mundial de carne e mais uma vez cumpre integralmente a cota Hilton, que no ciclo anterior (2017/18) atingiu 95%.
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