Neste sábado, 26 de julho, a 137ª Exposição Rural reafirmou seu lugar como um dos eventos centrais do calendário agroindustrial argentino. Organizada pela Sociedade Rural Argentina (SRA), a feira — que acontece no recinto de feiras de Palermo — reúne 4.500 expositores de animais e já atraiu mais de 1.300.000 visitantes.
A cerimônia de abertura, liderada pelo chefe da SRA, Nicolás Pino, e pelo Presidente da Nação, Javier Milei, contou com a presença de representantes dos setores público e privado. Nesse contexto, foram anunciadas novidades que impactam diretamente o comércio exterior argentino, como a redução permanente dos direitos de exportação (comumente conhecidos como retenções) para alguns produtos do complexo agroindustrial.
Como de costume, a exposição não só apresenta o melhor da genética, inovação e tecnologia no setor agrícola nacional — um dos motores históricos das exportações do país — como também serve como um espaço estratégico para destacar as prioridades, demandas e propostas do setor agroindustrial, especialmente nas áreas de política tributária e comércio exterior. Entre elas, destacam-se:
🟦 Nicolás Pino: "Com regras claras, o campo pode dobrar sua produção"
Em seu discurso, o titular da Sociedade Rural Argentina se concentrou nas condições necessárias para impulsionar a competitividade da agricultura argentina nos mercados internacionais, com ênfase especial nos aspectos que impactam diretamente as operações de exportação:
◾Eliminação total das retenções na exportação: Pino descreveu os direitos de exportação como “um flagelo para o bem comum" e um "imposto injusto, confiscatório e discriminatório que desencoraja a produção". Ele enfatizou que se eles fossem removidos, "O Estado também seria beneficiado, pois arrecadaria mais por meio de impostos proporcionais.”. Embora reconhecendo reduções parciais em certos setores, reafirmou o compromisso do campo em atingir “zero retenções".
◾Fim das sobreposições aduaneiras e fiscais internas:Ele relatou que “Os costumes internos foram proibidos pela Constituição durante 162 anos e ainda existem.”, e pediu a eliminação de impostos provinciais e municipais que dificultam a logística e o comércio.
◾Euinfraestrutura logística eficiente:Ele sublinhou a necessidade de investimentos urgentes nas redes rodoviária e ferroviária e na Hidrovia Paraná-Paraguai, destacando que “O atraso na manutenção das hidrovias prejudica a competitividade dos produtos argentinos.".
◾Modernização do SENASAEle pediu uma transformação que reduzisse a burocracia e a influência política para que a organização pudesse garantir status de saúde que facilitassem a abertura e a consolidação em mercados de alto valor.
O Sr. Pino projetou que, com condições adequadas, a agricultura poderia duplicar sua produção e aumentar significativamente o valor de suas exportações, reiterando que “O campo é um aliado estratégico da Argentina".
🟦Javier Milei: "Reduzir impostos e negociar é fazer a nossa parte."
O presidente Javier Milei participou pela segunda vez como chefe de Estado da cerimônia de abertura da Exposição Rural. Do palco central do recinto de feiras de Palermo, ele comemorou a retomada do setor agroexportador e agradeceu ao campo argentino por seus esforços: "Em 2024, as exportações de carne bovina ultrapassaram 9.000 toneladas pela primeira vez em mais de um século. Isso não é mágica: é o resultado do seu trabalho e do de um governo que está começando a tirar o pé do Estado.
Embora reconhecesse as dificuldades do processo de transformação, foi categórico: “Sabemos que o caminho para a liberdade econômica é difícil, mas é o caminho certo. O Estado deixou de ser um obstáculo e se tornou um garantidor de regras claras.".
Ao longo de seu discurso, ele listou as medidas adotadas por seu governo, muitas das quais impactam diretamente o comércio exterior. Entre elas, destacou:
◾Redução permanente nas retenções: um dos anúncios mais aguardados e estrategicamente importantes para o setor de exportação agrícola. Nas palavras de Milei:Impostos retidos na fonte são imorais, uma aberração fiscal e uma punição para os produtores. Sua existência não tem justificativa em um país que quer crescer.Durante seu discurso, ele detalhou a novo regime de taxas de direitos de exportação deixe para trás os descontos temporários aplicados há meses de volta para estabelecer uma estrutura de maior previsibilidade. A saber:
- Carne bovina e de aves: de 6,75% a 5%
- Milho e sorgo: de 12% a 9,5%
- Girassol: de 7,5% a 5,5% e, em alguns casos, até 4%
- Soja: de 33% a 26%
- Subprodutos de soja: de 31% a 24,5%
- Trigo e cevada: As reduções temporárias anteriores são agora transformadas em permanentes
Estas baixas representam uma redução média de 20% para as cadeias de grãos e 26% para a cadeia pecuária e de carne. O presidente Milei destacou seu impacto direto na competitividade argentina: “A redução da retenção de impostos não é um presente: é um ato de justiça. Queremos que os produtores concorram em igualdade de condições em todo o mundo, sem serem penalizados pelo próprio Estado..
◾Eliminação da restrição cambial e do imposto PAIS"Eliminamos o PAIS e começamos a eliminar o CEPO (Imposto de Controle Financeiro). Só com essa medida, devolvemos até 30% da rentabilidade aos produtores, sem a necessidade de subsídios ou vantagens.".
◾Facilitação de importações de insumos estratégicos"Reautorizamos a importação de máquinas agrícolas usadas, reduzindo custos em até 50%, e facilitamos a entrada de fertilizantes eliminando barreiras tarifárias absurdas.".
◾ Abertura de novos mercados: "Abrimos a exportação de gado vivo e liberalizamos o mercado de vacinas contra febre aftosa, o que nos posiciona melhor para atender às demandas internacionais de saúde.".
◾Reformas no SENASA e simplificação regulatória: "Estamos otimizando completamente a produção de frutas e hortaliças, retirando a SENASA de tarefas que não são de sua responsabilidade. Queremos que ela se concentre em padrões técnicos, não em entraves administrativos.".
◾Conectividade rural via Starlink: "Graças à introdução da Starlink, muitos produtores no interior do país agora têm internet de qualidade pela primeira vez. Sem conectividade, não há competitividade nem rastreabilidade.".
◾Ferramentas financeiras desregulamentadas"Desregulamentamos warrants e notas promissórias de commodities para que pudessem ser financiados com seus próprios estoques. É uma revolução logística e financeira silenciosa.".
Por fim, o Presidente da Nação reafirmou sua doutrina liberal com uma mensagem clara: "Nosso modelo é de liberdade, propriedade privada e comércio irrestrito. O comércio é um serviço à nação. Reduzir impostos é um serviço à nação. Investir é um serviço à nação.".
Em suma, a 137ª Exposição Rural se consolidou mais uma vez como um evento de referência para a agricultura argentina, onde a demonstração de inovação tecnológica se aliou a decisões relevantes de política comercial.
No final de julho, tanto o Presidente da Nação quanto o presidente da Sociedade Rural Argentina concordaram com uma agenda focada na redução de retenções, simplificação de impostos, melhoria da infraestrutura logística e promoção da presença internacional do setor. Várias das medidas foram confirmadas e devem ser formalizadas nos próximos dias.
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